16 agosto 2010
17 julho 2010
Cultura da violência ou da paz? Você decide

Sabemos que a violência não é uma invenção da mídia, mas sua exposição, cada vez mais freqüente e em forma de espetáculo, tem nos deixado em um estado de letargia, em que somente acontecimentos cruéis nos fazem parar, pensar e até nos manifestar a respeito, tamanha tolerância que criamos dentro de nós e que nos tira a capacidade de indignação. Mas, afinal, a mídia está errada em divulgar notícias que dizem respeito à violência? Claro que não. Ninguém quer que haja sonegação de informações, mas deve-se saber contextualizá-la.
Segundo o cearense Luiz Eduardo Girão, 34 anos, empresário, acadêmico de jornalismo e diretor da recém-criada ONG Agência da Boa Notícia, que iniciou uma campanha conclamando a mídia a repensar o seu papel, enviando e-mails a jornalistas com o pedido para que a cultura da paz substitua a da violência (veja abaixo um trecho do texto, reproduzido, em 23 de março, na coluna do jornalista Engel Paschoal, na Folha de S.Paulo), os meios de comunicação passaram dos limites. “A mídia contribui para a realidade que estamos enfrentando. Só notícias ruins, crimes, corrupção, desesperança. Mas será que é só isso que ocorre no Brasil e no mundo? Claro que não. E por que não damos visibilidade ao que é bom? Por que não dá audiência? Isto é um mito que vem potencializando a própria violência em nossa sociedade. É, sem dúvida, um “tiro no pé”, acredita ele.
Pesquisas
Pesquisas recentes apontam que a visibilidade excessiva do crime é uma das formas de potencializar a violência. "E a cultura da violência faz isso: induz-nos a pensar que tudo está perdido. Que vamos ser assaltados a qualquer momento. A pessoa fica paralisada e aterrorizada de tal forma que nem sai mais de casa e continua assistindo a programas de violência. Logo vem a depressão, originada pelo medo, pavor, fazendo o indivíduo viver pela metade, como um zumbi, sem um sentido maior para a vida”, opina Girão. De fato, como é explicado através da Física Quântica no filme Quem somos nós?, a energia dos nossos pensamentos cria realidades. Se pensamos coisas boas, atraímos coisas boas.
Se pensamos coisas ruins, criamos uma atmosfera negativa, propícia para que coisas negativas aconteçam.
Girão vai mais além: “Felizmente, a realidade não é a que aparece na mídia. Basta perguntar às pessoas quantos assassinatos já presenciaram. É o velho mito de que notícias ruins dão audiência. Mas já se observa uma forte tendência para outro tipo de tema: a busca da espiritualidade, intimamente ligada à cultura da paz. Daí o sucesso de novelas e filmes que tratam do assunto”, completa.
Mídia impressa
Nélson Nunes, editor executivo de um jornal paulista, acostumado a fazer a primeira página e, portanto, a classificar as matérias de mais relevância nas edições, admite que o noticiário policial tem grande importância para os veículos. “Seria hipocrisia negar. Isso ocorre porque a violência hoje é um dado que impacta a vida de toda a sociedade. Ninguém está livre de um novo golpe, de um assalto e até de um seqüestro, que hoje virou uma ação banal para os bandidos. Os veículos de comunicação passaram a tratar a questão da violência urbana com uma abordagem mais ampla, que vai além do crime pelo crime, do sangue pelo sangue”, diz.
Na maioria dos casos, segundo ele, a violência é retratada nos jornais como uma questão de segurança pública e, como tal, interessa a toda a sociedade. “Quando um jornal noticia um seqüestro, ele promove um debate da sociedade sobre a escalada desse tipo de crime, como a pena para esse crime deveria ser tratada no congresso, como fazer para evitar ser a próxima vítima. Um fato policial é importante, vai para a primeira página, à medida que pode despertar a atenção das pessoas, provocar um debate, passar uma mensagem de alerta”, avalia.
A Folha Espírita procurou a assessoria de imprensa da TV Bandeirantes para ouvir a produção do programa Brasil Urgente, o pioneiro da tevê em acompanhamento direto de casos policiais, mas não foi atendida.
Vocação
Um dos grandes desafios da comunicação na sociedade atual, segundo aponta Jaime Carlos Patias, mestre em Comunicação pela Cásper Líbero, é o de preservar a autêntica vocação do jornalismo, que tem uma função mediadora do espaço público. “A garantia do direito à informação e à liberdade de expressão faz parte da essência do jornalismo, que deve praticar uma comunicação voltada para a informação, para a formação e educação do povo, favorecendo o exercício da cidadania”, analisa.
Disso, ninguém tem dúvida. A mídia pode e deve informar, sim, mas, como disse Di Franco, com bom senso e sem sensacionalismo.
Campanha e prêmio pregam a paz
Pautada na discussão sobre a exposição da violência na mídia, foi aprovada, durante o Encontro Nacional dos Jornalistas em Assessoria de Comunicação, de 29 de março a 1º de abril, em Fortaleza (CE), a campanha “Eu quero é paz” e “Frente pela Paz”, assim como a criação da ONG Boa Notícia. Através dela, cria-se o compromisso pela paz em que a sugestão de pautas positivas deve se sobrepor à violência que atinge o País.
Com a mesma proposta, a de expandir a cultura pela paz, está a Revista Imprensa, que criou um prêmio nesse sentido. O Mídia da Paz é voltado para jornalistas e visa reconhecer ações dos veículos de comunicação, na categoria especial do júri – há outra categoria, Comunicação Institucional, voltado para empresas socialmente responsáveis. “A idéia é expandir a cultura pela paz, reconhecer as ações e projetos que promovam e abordam soluções na luta contra a violência, não só física, mas mental, social, política, urbana, ambiental, etc”, afirma Gabriela Miranda, assessoria de comunicação da revista.
“A cultura pela Paz e Não-Violência é um valor entendido como força maior a ser alcançada por todos os povos, que vai além da rejeição à violência. Essa cultura parte de princípios básicos que para se viver bem e com qualidade, como preservar o planeta, redescobrir a solidariedade, respeitar à vida. Acredito que o Prêmio Mídia da Paz vem para fomentar e incentivar esta cultura entre os brasileiros", afirma o diretor e editor da Revista Imprensa, Sinval de Itacarambi Leão.
Dados preocupantes
Segundo a ONG MOVPAZ - Movimento Internacional pela Paz e Não-Violência, as crianças brasileiras assistem, entre os 3 e 10 anos de idade, a 107 mil cenas de violência e a mais de 40 mil de tiros por ano. No Ceará, chega-se ao cúmulo de 13 horas diárias de programas de 'mundo cão' na TV. É recorde no Brasil.
Um grupo de estudantes da Universidade de Fortaleza (CE) pesquisou a reação da comunidade aos inputs de programas policiais. A conclusão é que o acusado fica respeitado e famoso quando aparece na tevê. E as crianças, carentes de educação e bons exemplos, o vê com admiração, ou seja, ele acaba sendo referência para aquele grupo de jovens.
Cultura da violência ou da paz? Você decide
Abaixo, reproduzimos trecho de e-mail enviado por Luiz Eduardo Girão à profissionais da imprensa e sobre o qual vale a pena refletir :
(...) “Os protagonistas deste horrendo espetáculo alcançaram requintes de masoquismo, fazendo com que na cena do crime se vejam pessoas querendo aparecer e rindo da própria desgraça. Com isso, a corrente do mal ganha força, criando novos 'super-heróis' e levando milhares de espectadores a se tornarem ávidos por cinco minutos de fama. Até porque o criminoso vira um astro de tevê nesses programas policiais. Este círculo vicioso, retroalimentado pela própria sociedade (empresas que anunciam em programas de violência), reforça a inversão dos valores do ser humano, o ter em vez do ser, gerando mais violência por deixar as pessoas mais tolerantes a ela...
(...) Quem patrocina programas com teor violento poderia direcionar o investimento para a cultura da paz, automaticamente contribuindo para um mundo melhor. Esses, sim, serão os empresários socialmente responsáveis. E o público tem um poder precioso em mãos: não consumir e até fazer campanha contra marcas anunciadas em programas que estimulam a violência. É questão de sobrevivência: se não descobrimos isso pelo amor, descobriremos pela dor.”
Quem quiser mais informações sobre o trabalho da ONG Boa Notícia pode enviar e-mail para legirao@hotmail.com e sobre o prêmio da Revista Imprensa, midiadapaz@portalimprensa.com.br e telefone (11) 2117-5308.
Fonte: http://www.amebrasil.org.br/html/outras_midia.htm
16 julho 2010
22 maio 2010
Obsessões Complexas

A questão das obsessões espirituais está longe de ser desvendada em sua totalidade, tamanha a diversidade de mecanismos íntimos responsáveis pelo desencadeamento das mais complexas síndromes defrontadas pelo gênero humano. Muito embora, na visão espírita, tenha-se o conhecimento teórico dos fatores predisponentes das obsessões (vingança e a vontade de fazer o mal por parte dos espíritos focados na crueldade), pouco se conhece a respeito da forma pela qual o processo ganha curso. O modus operandi da obsessão espiritual constitui-se um desafio, pois nem todos os casos decorrem da simples ação hipnótica, da telementação entre o obsessor e a sua vítima.
A obsessão decorrente da sugestão mental foi perfeitamente descrita por Allan Kardec em “O Livro dos Médiuns”, capítulo XXIII1, oportunidade em que o Codificador estabeleceu uma classificação alicerçada na gradação crescente dos efeitos opressivos sobre o encarnado, tais como a obsessão simples, a fascinação e a subjugação. Assim, pode-se dizer que no contexto das obsessões complexas, ou seja, aquelas que ultrapassam os limites da simples sugestão mental, identifica-se um tipo caracterizado pela presença de verdadeiros artefatos fluídicos desarmonizadores inseridos na contraparte astral das criaturas, com a finalidade de produzir, por ressonância vibratória, sintomas estranhos e contundentes, caracterizados por dores lancinantes, limitações funcionais, enfermidades degenerativas, tumorais ou comprometimento mental severo.
Esses “aparelhos”, uns mais simples e de maior tamanho, outros minúsculos e sofisticados, podem ser considerados pontos de partida de um número expressivo de obsessões espirituais graves, daí a importância dos espíritas conhecerem detalhadamente o assunto. Desde a década de 60, a literatura espírita brasileira, coleciona breves informações a respeito do assunto, mais precisamente duas, registradas por autores confiáveis.
Talvez, por se tratar de temática pouco ventilada no contexto doutrinário, a questão tenha caído no esquecimento, pois a pesquisa experimental não é norma no nosso movimento espírita, com raras exceções, a exemplo dos trabalhos desenvolvidos pelos confrades Hernani Guimarães Andrade, Hermínio de Miranda, Lamartine Palhano Jr. e José Lacerda de Azevedo, este último, o grande estudioso das obsessões complexas.
Pois bem. Relembremos, inicialmente, algumas informações canalizadas por médiuns que merecem crédito. A saudosa e respeitada médium Ivone A. Pereira, em sua obra “Recordações da Mediunidade”, 1966 (FEB)2, descreve um caso acontecido em 1930, em que se percebe nitidamente a presença desse “aparelho parasita” responsável por gravíssimas conseqüências. Tratava-se de uma criança com 13 anos de idade, levada pelos pais ao antigo “Centro Espírita de Lavras”, época em que a própria médium servia de intérprete ao espírito do Dr. Bezerra de Menezes. A história clínica pode ser assim resumida. Desde os dois anos, o jovem defrontou-se com deformidades físicas em pernas e braços, acompanhadas da incapacidade de articular palavras. Para todos os efeitos, tratava-se de um caso grave de mudez. A saudosa médium assim relata como o diagnóstico foi feito: “Ao penetrar a sede do Centro, acompanhado pelo pai, os dois videntes então presentes e também eu mesma fomos concordes em perceber uma forma escura e compacta cavalgando o rapaz, como se ele nada mais fosse que uma alimária de sela, visto que até as rédeas e o freio na boca (grifo nosso) existiam estruturados na mesma sombra escura”. Ora, a forma escura montada nas costas do garoto nada mais era do que o seu obsessor, antigo escravo, odiento e vingativo, em virtude do sofrimento que lhe fora imposto pelo seu senhor de então. Todavia, mediante o tratamento espírita, o jovem ficou literalmente curado no espaço de trinta dias. E a médium assim finaliza o seu comentário: “Deslumbrado, o pai do rapaz tornou-se espírita com toda a família, desejoso de se instruir no assunto, enquanto o filho, falando normalmente, explicava, sorridente: 'Eu sabia falar, sim, mas a voz não saia porque uma coisa esquisita apertava minha língua e engasgava a garganta...' Essa coisa esquisita seria, certamente, o freio forjado com forças maléficas invisíveis...”
Observem que se tratava de um caso não resolvido pela medicina tradicional. A evolução prolongada por mais de 10 anos deixara efeitos marcantes no campo físico do jovem, inclusive a mudez aparentemente irreversível. No entanto, o esclarecimento a que foi submetida a entidade espiritual no trabalho desobsessivo e a retirada do freio bucal (aparelho parasita) contribuíram para reverter o inditoso quadro. Demonstração inequívoca de que a terapêutica espiritual, quando bem orientada, quando integrada por tarefeiros altruístas suficientemente treinados e coordenada pelo Mundo Maior, pode amenizar bastante o sofrimento das enfermidades complexas.
Outra referência notável encontra-se na obra “Nos Bastidores da Obsessão”, 1970 (FEB)3, psicografada pelo respeitável médium Divaldo Pereira Franco. No capítulo intitulado “Processos Obsessivos”, pinçamos informações sobre um tipo de aparelho parasita bem mais sofisticado, provido de recursos eletrônicos e arquitetado por um gênio das sombras. Atentem para a transcrição de pequeno trecho feito pelo nobre pesquisador espiritual, Manoel Philomeno da Miranda: “Iremos fazer uma implantação – disse em tom de inesquecível indiferença o Dr.Teofrastus – de pequena célula foto-elétrica gravada, de material especial, nos centros da memória do paciente. Operando sutilmente o perispírito, faremos com que a nossa voz lhe repita insistentemente a mesma ordem: 'Você vai enloquecer! Suicide-se!' Somos obrigados a utilizar os mais avançados recursos, desde que estes nos ajudem a colimar os nossos fins. Esse é um dos muitos processos de que nos podemos utilizar em nossas tarefas... Estarrecidos, vimos o cruel verdugo movimentar-se na região cerebral do perispírito do jovem adormecido, com diversos instrumentos cirúrgicos, e, embora não pudéssemos lograr todos os detalhes, o silêncio no recinto denotava a gravidade do momento.”
A análise dos dois casos citados é suficiente para que se fique alerta quanto à possibilidade das obsessões complexas. No primeiro exemplo, a ação patogênica foi desencadeada por um aparelho rudimentar, em forma de freio eqüino, fixado na parte interna da mucosa bucal, a dificultar o desenvolvimento da linguagem. Era um tipo de aparelho parasita, a bem dizer, grosseiro, forjado com fluídos densificados, mas muito bem implantado na estrutura anatômica do perispírito, correspondente à boca no campo orgânico. Caso tal artefato fluídico não tivesse sido diagnosticado pelos médiuns videntes e retirado naquela oportunidade, certamente o problema da mudez não teria sido corrigido. No segundo caso, esse aparelho, como ficou visto, era muito mais delicado, de tamanho reduzido, auto-funcionante, inserido cuidadosamente por meio de cirurgia em área nobre do encéfalo, com a finalidade de emitir sugestões subliminares contínuas até romper o equilíbrio psíquico da pobre vítima e levar-lhe à loucura total e ao suicídio.
Observem ainda um outro pormenor, importante fator diferencial na técnica de investigação dos citados casos. Quando os médiuns fixaram a atenção na criança, logo perceberam a presença de um campo vibratório denso fortemente imantado ao perispírito do garoto, como a cavalgar-lhe o dorso. Era o obsessor que ali se encontrava a manipular as rédeas e o tal freio bucal. De certa forma o diagnóstico não apresentou dificuldade. A análise clarividente dos médiuns permitiu a identificação do artifício obsessivo. Todavia, no caso citado por Manoel Philomeno de Miranda, o diagnóstico exigiria um pouco mais de conhecimento e traquejo. O diminuto aparelho parasita, semelhante a verdadeiro “chip” eletrônico incrustado na intimidade do cérebro, sem a presença costumeira do obsessor ao lado do enfermo, provavelmente dificultaria o diagnóstico da síndrome. O grupo mediúnico teria de se valer da clarividência espontânea ou induzida pelo desdobramento perispirítico, para identificar o minúsculo instrumento cerebral e depois localizar na erraticidade umbralina o espírito responsável.
Como se deduz, são situações que requerem um bom nível de treinamento do grupo mediúnico, e, sobretudo, o concurso de dirigentes afeiçoados às modernas técnicas de investigação do psiquismo de profundidade. Além do mais, era preciso localizar à distância o espírito responsável pela cirurgia do implante, para que, uma vez atraído ao cenário mediúnico, o mesmo fosse submetido ao diálogo esclarecedor e convencido a retirar, ele próprio, o artefato parasita, oportunidade ofertada pela misericórdia divina com vistas à recuperação inicial da entidade maléfica envolvida em sombras.
Pode-se adiantar aos prezados leitores que, apesar do árduo desafio, esse desiderato é perfeitamente exeqüível. Tudo vai depender de alguns requisitos essenciais, a saber: experiência do grupo mediúnico na tarefa desobsessiva; formação criteriosa na doutrina codificada por Allan Kardec, apoio incondicional dos mentores espirituais; e disposição de servir aos necessitados, de acordo com as normas evangélicas norteadoras do Espiritismo. Não obstante as técnicas avançadas engendradas pelos verdugos espirituais, já se dispõe, no presente momento, de contramedidas defensivas capazes de fazer frente ao avanço das sombras.
No entanto, em se considerando a sujeição da maioria dos mortais aos processos obsessivos de repercussão grave, não se deve olvidar as normas sabiamente ofertadas por Manoel Philomeno de Miranda, na obra anteriormente citada: “– Em qualquer problema de desobsessão, a parte mais importante e difícil pertence ao paciente, que afinal de contas é o endividado. A este compete o difícil recurso da insistência no bem, perseverando no dever e fugindo a qualquer custo aos velhos cultos do 'eu' enfermo, aos hábitos infelizes, mediante os quais volta a sintonizar com os seus perseguidores que, embora momentaneamente afastados, não estão convencidos da necesstdade de os libertar. Oração, portanto, mas vigilância, também, conforme a recomendação de Jesus. A prece oferece o tônico da resistência, e a vigilância o vigor da dignidade.”
Bibliografia:
1- Allan Kardec. “O Livro dos Médiuns”, capítulo XXIII, 59ª edição, FEB.
2- Yvone A. Pereira. “Recordações da Mediunidade”, Capítulo 10, pg. 193, 2ª edição, FEB.
3- Manoel P. de Miranda & Divaldo P. Franco. “Nos Bastidores da Obsessão”, capítulo 8, pg.159, 1ª edição, 1970, FEB.
4- Idem, pg. 158.
http://medicinaespiritual.blogspot.com/2007/03/obsesses-complexas-por-aparelhos.html
Esses “aparelhos”, uns mais simples e de maior tamanho, outros minúsculos e sofisticados, podem ser considerados pontos de partida de um número expressivo de obsessões espirituais graves, daí a importância dos espíritas conhecerem detalhadamente o assunto. Desde a década de 60, a literatura espírita brasileira, coleciona breves informações a respeito do assunto, mais precisamente duas, registradas por autores confiáveis.
Talvez, por se tratar de temática pouco ventilada no contexto doutrinário, a questão tenha caído no esquecimento, pois a pesquisa experimental não é norma no nosso movimento espírita, com raras exceções, a exemplo dos trabalhos desenvolvidos pelos confrades Hernani Guimarães Andrade, Hermínio de Miranda, Lamartine Palhano Jr. e José Lacerda de Azevedo, este último, o grande estudioso das obsessões complexas.
Pois bem. Relembremos, inicialmente, algumas informações canalizadas por médiuns que merecem crédito. A saudosa e respeitada médium Ivone A. Pereira, em sua obra “Recordações da Mediunidade”, 1966 (FEB)2, descreve um caso acontecido em 1930, em que se percebe nitidamente a presença desse “aparelho parasita” responsável por gravíssimas conseqüências. Tratava-se de uma criança com 13 anos de idade, levada pelos pais ao antigo “Centro Espírita de Lavras”, época em que a própria médium servia de intérprete ao espírito do Dr. Bezerra de Menezes. A história clínica pode ser assim resumida. Desde os dois anos, o jovem defrontou-se com deformidades físicas em pernas e braços, acompanhadas da incapacidade de articular palavras. Para todos os efeitos, tratava-se de um caso grave de mudez. A saudosa médium assim relata como o diagnóstico foi feito: “Ao penetrar a sede do Centro, acompanhado pelo pai, os dois videntes então presentes e também eu mesma fomos concordes em perceber uma forma escura e compacta cavalgando o rapaz, como se ele nada mais fosse que uma alimária de sela, visto que até as rédeas e o freio na boca (grifo nosso) existiam estruturados na mesma sombra escura”. Ora, a forma escura montada nas costas do garoto nada mais era do que o seu obsessor, antigo escravo, odiento e vingativo, em virtude do sofrimento que lhe fora imposto pelo seu senhor de então. Todavia, mediante o tratamento espírita, o jovem ficou literalmente curado no espaço de trinta dias. E a médium assim finaliza o seu comentário: “Deslumbrado, o pai do rapaz tornou-se espírita com toda a família, desejoso de se instruir no assunto, enquanto o filho, falando normalmente, explicava, sorridente: 'Eu sabia falar, sim, mas a voz não saia porque uma coisa esquisita apertava minha língua e engasgava a garganta...' Essa coisa esquisita seria, certamente, o freio forjado com forças maléficas invisíveis...”
Observem que se tratava de um caso não resolvido pela medicina tradicional. A evolução prolongada por mais de 10 anos deixara efeitos marcantes no campo físico do jovem, inclusive a mudez aparentemente irreversível. No entanto, o esclarecimento a que foi submetida a entidade espiritual no trabalho desobsessivo e a retirada do freio bucal (aparelho parasita) contribuíram para reverter o inditoso quadro. Demonstração inequívoca de que a terapêutica espiritual, quando bem orientada, quando integrada por tarefeiros altruístas suficientemente treinados e coordenada pelo Mundo Maior, pode amenizar bastante o sofrimento das enfermidades complexas.
Outra referência notável encontra-se na obra “Nos Bastidores da Obsessão”, 1970 (FEB)3, psicografada pelo respeitável médium Divaldo Pereira Franco. No capítulo intitulado “Processos Obsessivos”, pinçamos informações sobre um tipo de aparelho parasita bem mais sofisticado, provido de recursos eletrônicos e arquitetado por um gênio das sombras. Atentem para a transcrição de pequeno trecho feito pelo nobre pesquisador espiritual, Manoel Philomeno da Miranda: “Iremos fazer uma implantação – disse em tom de inesquecível indiferença o Dr.Teofrastus – de pequena célula foto-elétrica gravada, de material especial, nos centros da memória do paciente. Operando sutilmente o perispírito, faremos com que a nossa voz lhe repita insistentemente a mesma ordem: 'Você vai enloquecer! Suicide-se!' Somos obrigados a utilizar os mais avançados recursos, desde que estes nos ajudem a colimar os nossos fins. Esse é um dos muitos processos de que nos podemos utilizar em nossas tarefas... Estarrecidos, vimos o cruel verdugo movimentar-se na região cerebral do perispírito do jovem adormecido, com diversos instrumentos cirúrgicos, e, embora não pudéssemos lograr todos os detalhes, o silêncio no recinto denotava a gravidade do momento.”
A análise dos dois casos citados é suficiente para que se fique alerta quanto à possibilidade das obsessões complexas. No primeiro exemplo, a ação patogênica foi desencadeada por um aparelho rudimentar, em forma de freio eqüino, fixado na parte interna da mucosa bucal, a dificultar o desenvolvimento da linguagem. Era um tipo de aparelho parasita, a bem dizer, grosseiro, forjado com fluídos densificados, mas muito bem implantado na estrutura anatômica do perispírito, correspondente à boca no campo orgânico. Caso tal artefato fluídico não tivesse sido diagnosticado pelos médiuns videntes e retirado naquela oportunidade, certamente o problema da mudez não teria sido corrigido. No segundo caso, esse aparelho, como ficou visto, era muito mais delicado, de tamanho reduzido, auto-funcionante, inserido cuidadosamente por meio de cirurgia em área nobre do encéfalo, com a finalidade de emitir sugestões subliminares contínuas até romper o equilíbrio psíquico da pobre vítima e levar-lhe à loucura total e ao suicídio.
Observem ainda um outro pormenor, importante fator diferencial na técnica de investigação dos citados casos. Quando os médiuns fixaram a atenção na criança, logo perceberam a presença de um campo vibratório denso fortemente imantado ao perispírito do garoto, como a cavalgar-lhe o dorso. Era o obsessor que ali se encontrava a manipular as rédeas e o tal freio bucal. De certa forma o diagnóstico não apresentou dificuldade. A análise clarividente dos médiuns permitiu a identificação do artifício obsessivo. Todavia, no caso citado por Manoel Philomeno de Miranda, o diagnóstico exigiria um pouco mais de conhecimento e traquejo. O diminuto aparelho parasita, semelhante a verdadeiro “chip” eletrônico incrustado na intimidade do cérebro, sem a presença costumeira do obsessor ao lado do enfermo, provavelmente dificultaria o diagnóstico da síndrome. O grupo mediúnico teria de se valer da clarividência espontânea ou induzida pelo desdobramento perispirítico, para identificar o minúsculo instrumento cerebral e depois localizar na erraticidade umbralina o espírito responsável.
Como se deduz, são situações que requerem um bom nível de treinamento do grupo mediúnico, e, sobretudo, o concurso de dirigentes afeiçoados às modernas técnicas de investigação do psiquismo de profundidade. Além do mais, era preciso localizar à distância o espírito responsável pela cirurgia do implante, para que, uma vez atraído ao cenário mediúnico, o mesmo fosse submetido ao diálogo esclarecedor e convencido a retirar, ele próprio, o artefato parasita, oportunidade ofertada pela misericórdia divina com vistas à recuperação inicial da entidade maléfica envolvida em sombras.
Pode-se adiantar aos prezados leitores que, apesar do árduo desafio, esse desiderato é perfeitamente exeqüível. Tudo vai depender de alguns requisitos essenciais, a saber: experiência do grupo mediúnico na tarefa desobsessiva; formação criteriosa na doutrina codificada por Allan Kardec, apoio incondicional dos mentores espirituais; e disposição de servir aos necessitados, de acordo com as normas evangélicas norteadoras do Espiritismo. Não obstante as técnicas avançadas engendradas pelos verdugos espirituais, já se dispõe, no presente momento, de contramedidas defensivas capazes de fazer frente ao avanço das sombras.
No entanto, em se considerando a sujeição da maioria dos mortais aos processos obsessivos de repercussão grave, não se deve olvidar as normas sabiamente ofertadas por Manoel Philomeno de Miranda, na obra anteriormente citada: “– Em qualquer problema de desobsessão, a parte mais importante e difícil pertence ao paciente, que afinal de contas é o endividado. A este compete o difícil recurso da insistência no bem, perseverando no dever e fugindo a qualquer custo aos velhos cultos do 'eu' enfermo, aos hábitos infelizes, mediante os quais volta a sintonizar com os seus perseguidores que, embora momentaneamente afastados, não estão convencidos da necesstdade de os libertar. Oração, portanto, mas vigilância, também, conforme a recomendação de Jesus. A prece oferece o tônico da resistência, e a vigilância o vigor da dignidade.”
Bibliografia:
1- Allan Kardec. “O Livro dos Médiuns”, capítulo XXIII, 59ª edição, FEB.
2- Yvone A. Pereira. “Recordações da Mediunidade”, Capítulo 10, pg. 193, 2ª edição, FEB.
3- Manoel P. de Miranda & Divaldo P. Franco. “Nos Bastidores da Obsessão”, capítulo 8, pg.159, 1ª edição, 1970, FEB.
4- Idem, pg. 158.
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